Anápolis é escolhida para aplicar tecnologia inovadora no combate ao Aedes aegypti

O município de Anápolis inicia uma nova etapa no fortalecimento das ações de combate à dengue, Zika e chikungunya com a implementação do Método Wolbachia, tecnologia inovadora e sustentável conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operada pela Wolbito do Brasil.
A primeira fase do projeto será voltada para comunicação e engajamento da população, considerada essencial para aproximar os moradores da iniciativa, esclarecer dúvidas e incentivar a participação das comunidades. Ao todo, mais de 398 mil pessoas serão contempladas em 45 bairros da cidade.
O método utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya dentro do organismo do mosquito.
Quando esses insetos se reproduzem, transmitem a bactéria para as próximas gerações, reduzindo a capacidade de transmissão das arboviroses.
De acordo com a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, a implantação do Método Wolbachia representa um avanço importante no enfrentamento às arboviroses no país.
“A implantação do Método Wolbachia em Anápolis representa mais um marco no avanço do Plano de Enfrentamento de Arboviroses do Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz e os municípios. Trata-se de uma iniciativa fruto de uma política pública para o SUS, baseada no Método Wolbachia, considerado uma importante inovação no controle vetorial”, afirmou.
Antes da liberação dos mosquitos, equipes da Wolbito do Brasil, em parceria com a Prefeitura de Anápolis, irão realizar ações educativas em escolas, unidades de saúde, espaços públicos e associações comunitárias. Campanhas em veículos de comunicação também estão previstas para informar a população sobre o funcionamento da tecnologia e seus impactos.
Após essa etapa, será iniciada a liberação controlada dos chamados “Wolbitos”, acompanhada de monitoramento técnico e epidemiológico para avaliar o estabelecimento da bactéria na região e os impactos na redução das doenças.
Segundo Sandro Fabiano da Luz, diretor da Wolbito do Brasil, o envolvimento da população é fundamental para o sucesso do projeto.
“O sucesso do Método Wolbachia depende da confiança e do envolvimento das pessoas. É por isso que a fase de comunicação e engajamento vem antes de qualquer ação em campo. É um diferencial no método, pois torna a população parte do projeto”, destacou.
A tecnologia é considerada segura, não utiliza produtos químicos e não envolve modificação genética dos mosquitos. O método já apresenta resultados positivos em diferentes cidades do Brasil e do mundo. Em Niterói (RJ), por exemplo, estudos apontaram redução de até 70% nos casos de dengue, além de impactos positivos no combate à Zika e chikungunya.
A estratégia é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Depois da fase de comunicação, as solturas dos mosquitos ocorrerão semanalmente, por equipes técnicas especializadas, utilizando veículos e equipamentos próprios. A expectativa é que a presença da Wolbachia aumente gradualmente e de forma sustentável na cidade ao longo dos meses.
Atualmente, o Método Wolbachia já está presente em 16 cidades brasileiras. Entre os novos municípios indicados pelo Ministério da Saúde para receber a tecnologia estão Ribeirão Preto, São Carlos, Araraquara, São José do Rio Preto e São José dos Campos (SP), Cariacica e Serra (ES), Contagem (MG), Foz do Iguaçu e Cascavel (PR), além de Anápolis, Aparecida de Goiânia e Trindade, em Goiás.
A orientação dos responsáveis pelo projeto é que a população continue mantendo os cuidados tradicionais de combate ao mosquito, eliminando focos de água parada e colaborando com as ações de prevenção.
Mais informações sobre o cronograma e o funcionamento do método podem ser acessadas no site oficial www.wolbito.com da Wolbito do Brasil e nas redes sociais do projeto.
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Fonte: ✍️ Aconteceu É Notícia FM




