
Estado cai para a 10ª posição no ranking de segurança pública do CLP, enquanto crimes brutais em Goiânia e Nerópolis chocam a população e expõem a fragilidade do discurso governamental.
A percepção de segurança em Goiás tem sido duramente confrontada pela realidade das ruas e por dados nacionais recentes. Enquanto o discurso oficial insiste no título de “estado mais seguro do Brasil”, a população goiana lida com um cenário bem diferente. Desde que Daniel Vilela assumiu a linha de frente do governo, indicadores apontam para um aumento da criminalidade, evidenciado por uma queda expressiva em rankings de competitividade e por casos de extrema violência registrados na capital e no interior.
Goiás perde posições no cenário nacional
De acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), Goiás despencou para o 10º lugar nos indicadores de Segurança Pública projetados para 2026. A queda joga um balde de água fria na narrativa de excelência e levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas atuais de combate ao crime no estado.
A brutalidade que as estatísticas não escondem
Mais do que números, a insegurança tem feito vítimas reais, com crimes que causam revolta pela crueldade.
- Feminicídio em Nerópolis: A cidade foi palco do trágico assassinato de Maria Regina Costa. A mulher foi seguida ao sair de um bar, brutalmente abusada e morta. O enterro, marcado por forte comoção, reflete a vulnerabilidade contínua das mulheres no estado.
- Violência em Goiânia: No setor Center Ville, a criminalidade não poupou um jovem de 25 anos. Na noite de domingo, ao retornar a pé de uma distribuidora de bebidas carregando uma caixa de som de alto valor, ele foi abordado por criminosos em um veículo. Na tentativa de evitar o roubo, o rapaz foi arrastado por toda a extensão da rua, até perder as forças e soltar o equipamento. Relatos de testemunhas apontam que o carro dos assaltantes quase passou por cima da vítima.
O “País das Maravilhas” e o sentimento popular
A escalada de violência contrasta de forma contundente com a postura da atual gestão. Em eventos recentes, Daniel Vilela foi visto celebrando o que chama de “o estado mais seguro do Brasil”. No entanto, a distância entre a retórica festiva — descrita por críticos como um verdadeiro “Mundo de Alice no País das Maravilhas” — e os latrocínios e feminicídios cotidianos tem gerado forte insatisfação popular.
O descontentamento é tanto que já transbordou para o humor crítico nas redes sociais. Um vídeo que tem circulado amplamente no estado resume o sentimento de muitos goianos através da fala inusitada de um papagaio: “Daniel Vilela não dá conta”. A ave, que segundo os autores da brincadeira está “de malas prontas para Goiânia”, virou o símbolo irônico de uma população que exige menos propaganda e mais segurança real nas ruas.




